Desde o ‘desencantamento do mundo” citado por Max Weber
nós médicos passamos a ocupar posição privilegiada nos imaginários da sociedade ocidental. Da mudança de um mundo “controlado” por seres celestiais para um mundo mecânico e científico, as questões transcedentais foram modificando sua função social. Os sacerdotes que em muitas sociedades eram responsáveis pelas questões de morte e vida, ou mesmo posições políticas ( como ainda em alguns países) cada vez mais foram substituídos pelo poder do “saber científico”, um saber representdo pelos homens barbudos de jalecos “lutando pela humanidade” os cientistas.
Desde a era dos higienistas no Brasil representado por Oswaldo Cruz , ou dos médico psicanalista Freud , Foucault que versaria sobre poder , e Piaget símbolo de educação, os médicos começaram a se tornar simbolos do sistema de saúde ocidental e a penetrar em diversas esferas da vida da sociedade social representados na “saude coletiva” , “saúde mental” “epidemiologia” modificando várias relações de poder na sociedade.
Hoje a vida e a morte passam nas nossas mãos dos médicos. No nascimento aí estamos, e na morte aí também. Os antigos sacerdotes foram substituídos gradualmente pelos discipulos de Hipócrates e estes aos poucos vão sendo substituídos pelos dicípulos da tecnocracia digital.
Pasteur que introduziu oficialmente os antibióticos na vida humana mas não tinha idéia de que modificaria tanto as taxas de mortalidade e mudaria o rumo do crescimento da população. Aquele medo
Se o mundo continuasse com as taxas de mortalidade da idade média teríamos muito menos pessoas na terra. hoje.
As endemias e epidemias passaram a ser ressignificadas de maldição divina como na antiguidade da Lepra e peste Bubônica para Váriola, Sífilis para “questões de saúde pública”. A humanidade que tinha uma mortalidade quase totalmente definida pela seleção natural Darwiniava parece que elevou os humanos da saúde à um nível de semideuses.
De um “estado de bem estar físico e mental” a saúde parece mais um bem , uma propriedade. A saúde se tornou uma espécie de commodity, um produto que os seres humanos de hoje parecem acreditar que se pode comprar na clínica esquina. E os atores da saúde parecem os vendedores desta preciosidade. O comercio dos bens de saúde representam uma das maiores transações da humanidade. Idustria farmaceuticas , produtos de cirurgia, produtos de equipamentos de diagnóstico e terapêutica, tudo isso faz parte de uma comp-lexo jogo de poder geopolítico.
Quem imaginaria que aquelas epidemias tão perigosas e imobilizadoras quanto a peste bubônica medieval, a gripe espanhola, e a Lepra poderiam retornar ? Nem nos sonhos mais dramáticos de Hollywood isso seria possíovel. Eu vi a chegada da Aids na década de 80. A Aids quebrou a vaidade de muitos. Lembro-me que parcitipei da primeira cirurgia em paciente reconhecidamente soropositivo no hospital da aeronáutica dos Afonsos da qual fiz parte. Na época na igreja os copos da ceia se tornaram descartáveis. tinha um “aidético” entre nós. ( Nome dado na época e mudado pára soropositivo.
Depois do medo da Aids , parecia que a humanidade representada pelos seus arautos da ciência teriam controlado o inclontrolável. Afinal com cérebro avantajado parecia que o “Homo Sapiens” e seus descendentes pós modernos já tinham conseguido enganar o processo que eles mesmo criaram na teoria, a “evolução” e “seleção natural”.