Aqui estão as informações sobre o Brasil contidas nos arquivos JFK recém-lançados, traduzidas para o português. Baseei-me nos trechos fornecidos dos documentos, focando apenas nas partes relevantes ao Brasil, sem inventar ou improvisar informações que não estejam explicitamente nos arquivos.
Arquivo: 104-10078-10014
Resumo: Este documento é um cabo classificado da CIA, datado de 14 de dezembro de 1963, do Diretor para JMWAVE, detalhando os planos de viagem do Sr. Alexander Shatton para São Paulo, Brasil, em 20 de dezembro de 1963, para fins de briefing e treinamento relacionados ao “BETIDE”. O documento menciona São Paulo e Rio de Janeiro como destinatários ou informados, mas não fornece detalhes específicos sobre atividades no Brasil além da logística de viagem e treinamento.
Arquivo: 104-10308-10165
Resumo: Este documento, originado do Rio de Janeiro e datado de 18 de dezembro (provavelmente 1963), contém um relatório classificado da CIA com informações fornecidas por Mario Rogerio Mestrinho de Mello, um oficial da embaixada brasileira em Havana, que estava de licença no Rio de Janeiro. As informações relevantes sobre o Brasil incluem:
O embaixador brasileiro Bastos Pinto tem estado frequentemente intoxicado e ausente por longos períodos.
Restrições recentes de viagens internacionais no Brasil causaram dificuldades para comunistas brasileiros que desejam visitar Cuba, embora nenhum detalhe adicional tenha sido fornecido.
Mestrinho planeja retornar a Cuba no final de janeiro de 1964 e concordou em levar itens pessoais solicitados por amigos de AMSTRUT-1, agindo como um mensageiro confiável, mas sem o conhecimento do embaixador Bastos Pinto.
Arquivo: 104-10218-10007
Resumo: Este documento, originado de Cidade do México e datado de agosto de 1968, menciona o Rio de Janeiro como um destinatário prioritário de cabos relacionados a atividades soviéticas e reações à invasão da Tchecoslováquia. Não há detalhes específicos sobre o Brasil além da comunicação direcionada à estação no Rio de Janeiro, mas o contexto sugere monitoramento de atividades comunistas e soviéticas na região.
Arquivo: 176-10036-10065
Resumo: Este documento, classificado como secreto, detalha atividades relacionadas a guerrilhas e diplomacia cubana no Brasil, com foco em operações após o assassinato de JFK. As informações sobre o Brasil incluem:
Diplomatas cubanos financiaram a impressão de propaganda para grupos de fachada no Brasil, mas o financiamento para operações guerrilheiras parece ter cessado após a exposição de documentos de um acidente de avião da Varig no Peru e reclamações de guerrilheiros à embaixada cubana no Rio sobre má gestão, confusão e corrupção.
Um brasileiro, treinado em guerra de guerrilha em 1961, foi recentemente preso com uma mala cheia de munição destinada a campos de treinamento guerrilheiro expostos no acidente da Varig. As autoridades brasileiras acreditam que o dinheiro para esses campos veio da China comunista.
Apesar da redução do apoio cubano, a operação continua, e uma advogada no Rio, identificada como uma ligação entre a embaixada cubana e as Ligas Camponesas pró-comunistas, forneceu dinheiro para comprar uma grande fazenda para um novo campo de guerrilha.
O princípio de que as guerrilhas devem ser autossustentáveis financeiramente foi adotado, com uma série de roubos a bancos orquestrados por comunistas em países como Venezuela, Peru e Argentina, mas sem menção específica de roubos no Brasil neste trecho.
Arquivo: 194-10012-10030
Resumo: Este documento, datado de 4 de janeiro de 1963, não menciona diretamente o Brasil, mas trata do prestígio de Fidel Castro na América Latina e das divisões dentro dos partidos comunistas da região. Como o Brasil faz parte da América Latina, pode-se inferir que essas observações se aplicam indiretamente, mas não há detalhes específicos sobre o país.
Observações Surpreendentes:
É notável que os documentos revelem uma conexão entre diplomatas cubanos e atividades guerrilheiras no Brasil, incluindo o financiamento de propaganda e campos de treinamento, mesmo após o acidente da Varig no Peru, que expôs essas operações. A menção de uma advogada no Rio como uma ligação crucial entre a embaixada cubana e as Ligas Camponesas sugere uma rede organizada de apoio comunista no Brasil, o que pode ser surpreendente dado o foco histórico na narrativa de que Lee Harvey Oswald agiu sozinho no assassinato de JFK.
A ausência de detalhes sobre o envolvimento direto do Brasil no assassinato de JFK nesses trechos, mas a presença de atividades comunistas e cubanas no país, levanta questões sobre possíveis ligações indiretas ou monitoramento da CIA que ainda podem não estar totalmente claras nos arquivos lançados.
Os arquivos JFK lançados em 18 de março de 2025 pelo Arquivo Nacional dos EUA revelam várias conexões intrigantes entre Cuba e atividades monitoradas ou relatadas pela CIA, algumas das quais se intersectam com o contexto mais amplo da investigação do assassinato de JFK. Embora esses documentos não liguem diretamente Cuba ao assassinato em si, eles destacam atividades diplomáticas, de inteligência e revolucionárias cubanas que eram de grande interesse para as agências de inteligência dos EUA durante o período que cerca 22 de novembro de 1963. A seguir, explico as conexões cubanas conforme aparecem nos arquivos, focando nos detalhes específicos fornecidos.
1. Envolvimento Diplomático Cubano no Brasil e Atividades Guerrilheiras
Fonte: 177-10002-10016
Detalhes: Este documento descreve os esforços diplomáticos cubanos para apoiar atividades revolucionárias no Brasil após o assassinato de JFK. Diplomatas cubanos financiaram propaganda para grupos de fachada e estavam envolvidos em operações guerrilheiras. No entanto, o financiamento para esses esforços guerrilheiros teria cessado após documentos de um acidente de avião da Varig no Peru exporem as operações, levando guerrilheiros a reclamarem à embaixada cubana no Rio de Janeiro sobre má gestão, confusão e corrupção.
Conexão Principal: Uma advogada no Rio atuou como ligação entre a embaixada cubana e as Ligas Camponesas pró-comunistas, facilitando a compra de uma grande fazenda para um novo campo de treinamento guerrilheiro. Além disso, um brasileiro treinado em guerra de guerrilha em Cuba em 1961 foi preso com uma mala cheia de munição destinada a esses campos, e as autoridades brasileiras suspeitam que o financiamento veio da China comunista, possivelmente coordenado por canais cubanos.
Significância: Isso mostra o papel ativo de Cuba na exportação de revolução para a América Latina, incluindo o Brasil, durante um período de tensões crescentes entre EUA e Cuba após a Baía dos Porcos e a Crise dos Mísseis. Embora não esteja diretamente ligado ao assassinato de JFK, reflete o foco da CIA em atividades subversivas cubanas na região, o que pode ter alimentado suspeitas de envolvimento cubano mais amplo.
2. Embaixada Cubana em Havana e Mensageiros Brasileiros
Fonte: 104-10308-10165
Detalhes: Este relatório, datado de 18 de dezembro (provavelmente 1963), vem de Mario Rogerio Mestrinho de Mello, um oficial da embaixada brasileira em Havana que estava de licença no Rio de Janeiro. Mestrinho forneceu informações à CIA, observando a frequente intoxicação e ausência do embaixador brasileiro Bastos Pinto em Havana. Ele também concordou em atuar como mensageiro, levando itens pessoais solicitados por amigos de AMSTRUT-1 (um ativo ou operação da CIA) de volta a Cuba em janeiro de 1964, sem o conhecimento do embaixador.
Conexão Principal: Isso demonstra uma ligação direta entre diplomatas brasileiros em Havana e operações da CIA, com Cuba como um ponto central. A disposição de Mestrinho em ajudar sugere que a CIA havia penetrado ou aproveitado círculos diplomáticos brasileiros em Havana para fins de inteligência.
Significância: Havana era um ponto focal para atividades comunistas no Hemisfério Ocidental, e a visita de Lee Harvey Oswald à embaixada cubana na Cidade do México em setembro de 1963 (bem documentada em outros lugares) já levantou questões sobre laços cubanos com o assassinato. Este arquivo contribui para o quadro da vulnerabilidade diplomática cubana à infiltração da CIA, potencialmente amplificando suspeitas de envolvimento cubano em conspirações mais amplas.
3. Influência Cubana na América Latina e o Prestígio de Castro
Fonte: 104-10170-10051
Detalhes: Datado de 17 de abril de 1959, este documento discute a postura de Fidel Castro de buscar apoio do Bloco Socialista e a inimizade com os Estados Unidos, apesar de publicamente se apresentar como vítima do imperialismo americano. Durante sua visita aos EUA em 1959, Castro evitou discutir assuntos econômicos cubanos com autoridades americanas, rejeitando ofertas de ajuda financeira, o que contradiz narrativas de propagandistas cubanos.
Conexão Principal: Cuba, sob Fidel Castro, promovia ativamente a ideologia comunista e a insurgência na América Latina, um fato que alarmava o governo dos EUA e alimentava as tensões da Guerra Fria.
Significância: Esse contexto de influência revolucionária cubana fornece um motivo para especulações sobre uma possível retaliação cubana contra JFK, dado o posicionamento agressivo de sua administração contra Castro (por exemplo, a invasão da Baía dos Porcos e a Operação Mongoose). Embora o documento preceda o assassinato, ele reforça o conflito contínuo entre EUA e Cuba, central para teorias de conspiração.
4. Monitoramento de Atividades Soviéticas e Cubanas Pós-Invasão da Tchecoslováquia
Fonte: 104-10218-10007
Detalhes: Este documento de agosto de 1968, originado na Cidade do México, lista o Rio de Janeiro como destinatário prioritário de cabos relacionados a atividades soviéticas e reações à invasão da Tchecoslováquia. Embora focado em ações soviéticas, reflete uma coordenação mais ampla do bloco comunista, na qual Cuba desempenhava um papel-chave como aliada da União Soviética.
Conexão Principal: A inclusão do Rio de Janeiro sugere que a CIA monitorava redes comunistas no Brasil, potencialmente ligadas à influência cubana, dado o alinhamento de Cuba com a União Soviética.
Significância: Este documento posterior mostra o interesse contínuo da inteligência dos EUA em atividades comunistas na América Latina, construindo sobre preocupações anteriores com o alcance revolucionário cubano que eram proeminentes na época da morte de JFK.
Contexto Mais Amplo: Cuba e o Assassinato de JFK
Embora esses arquivos específicos não impliquem diretamente Cuba no assassinato de JFK, eles se alinham com questões de longa data sobre conexões cubanas levantadas por outras evidências:
Contatos de Oswald com Cuba: A visita documentada de Oswald à embaixada cubana na Cidade do México em setembro de 1963, onde ele buscou um visto para viajar a Cuba, alimentou especulações sobre envolvimento ou conhecimento cubano. A CIA monitorou de perto essas interações, como notado em arquivos já lançados.
Sentimento Anti-Castro na CIA: Os esforços da agência para derrubar Castro (por exemplo, Operação Mongoose) criaram um pano de fundo tenso. Alguns teóricos argumentam que Cuba pode ter retaliado contra JFK, enquanto outros sugerem que exilados cubanos anti-Castro, possivelmente com laços com a CIA, poderiam ter agido por frustração com a percepção de um abrandamento de Kennedy após a Crise dos Mísseis.
Falta de Evidência Direta: Esses novos arquivos não fornecem uma prova conclusiva ligando Cuba ao assassinato. Em vez disso, eles destacam atividades revolucionárias cubanas, vulnerabilidades diplomáticas e o monitoramento da CIA, o que pode ter contribuído para suspeitas ou desvios na investigação.
Observações Surpreendentes
Alcance Cubano no Brasil: A extensão do envolvimento diplomático cubano no financiamento de campos guerrilheiros e propaganda no Brasil, mesmo após a exposição pelo acidente da Varig, é notável. Sugere um esforço ousado e persistente para desestabilizar governos latino-americanos, o que pode ter alarmado os EUA o suficiente para suspeitar de motivos cubanos em outros eventos de alto perfil, como a morte de JFK.
Penetração da CIA: O uso de um diplomata brasileiro em Havana como mensageiro da CIA destaca o quão profundamente a agência havia infiltrado os círculos diplomáticos cubanos, potencialmente dando-lhe tanto inteligência quanto meios para influenciar percepções sobre ações cubanas.
Em resumo, as conexões cubanas nesses arquivos centram-se em atividades revolucionárias, vulnerabilidades diplomáticas e monitoramento da CIA, em vez de evidências diretas de envolvimento no assassinato. Elas pintam um quadro de Cuba como uma fonte contínua de preocupação para os EUA, amplificando as tensões da Guerra Fria que há muito alimentam teorias de conspiração sobre a morte de JFK.
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