Sobre cores e misturas…

Acabando de voltar pra casa após trabalho médico em período de férias escolares, penso; Maravilha de transito.

Ao chegar em casa e ver nas redes sociais as tensões entre governistas e todos os tipos de oposicionistas fico a pensar sobre qual o tipo de cidadania que gostaríamos de ter e quais os amigos que poderemos voltar a ter algum dia que não envolva a conversa sobre cores e preconceitos. Sente-se no ar que quaisquer discurso seja capaz de provocar uma guerra bipolar nas conversas.

Vejo boa gente se engalfinhando no terreno das redes sociais. Uns afirmando que a “esquerda demoníaca” plantou uma semente maligna na mente das pessoas e pretende dominar as pessoas usando um “kit Gay” tendo como pano de fundo o pior estilo de teorias da conspiração ( como aquelas que presenciamos durante os debates presidenciais). Por outro lado as diferentes correntes de oposição que ,segundo um lider LGBTI afirmou recentemente  , vivem em uma espécie de “bolha progressista, racional, “ilustrada”, laica”  e no meu entender acabam  provocando mais dor nas pessoas que dizem tentar defender do que conseguir uma real mudança, com consequência de inflamados discursos expondo quem por algum motivo já está em situação de risco através de uma espécie de “advocacy” militante radical no melhor estilo green peace.

Revoluções concretas não aconteceram ( muitas das quais eu admito trabalhei para que acontecessem). Sobrou no final apenas uma espécie de “mal estar na sociedade” que trouxe à baila a consciência de que existem certas “classes”,mas que possivelmente quase todas as classes temam umas as outras. Os assim rotulados de  hegemônicos em perder sua posição privilegiada e do outro lado alguns não tão hegemônicos assim ,mas que representam as classes empobrecidas ou marginalizadas, de alguma forma acham que todos os “avanços civilizatórios” serão perdidos e vociferam que voltaremos à uma espécie de nova “Idade Média”.

No meio do fogo cruzado dos diferentes “viés”  ideológicos ficam as pessoas. Sim. Alguns dos quais simples e alheios à consciência de classes, utopias, entropias e distopias  e na maioria das vezes são inconscientemente manipulados por toda sorte de liderança. Entre estes podem ser encontrados; Os idosos , as crianças, os dependentes químicos, quilombolas, pessoas com necessidades especiais, diferentes tipos de gêneros sexuais , culturas animistas , sem terra e sem teto, grupos tradicionais, raças , etnias , refugiados , outros não discriminados, além dos empobrecidos por essa cultura discriminadora embora miscigenada que temos no Brasil.

Eu oriundo que sou de família pobre, descendente direto da miscigenação de nordestinos, negros, índios , portugueses e ítalo germânicos , sou a prova viva de que sem uma atitude inclusiva não é possível o crescimento pessoal e comunitário.  Descendente de refugiados da segunda grande guerra,muitas vezes penso sobre o que ocorreria com a minha família se não tivessem sido acolhidos após uma guerra. Claro que junto a “pessoas boas” como de minha família vieram nazistas, criminosos de guerra muitas vezes buscando se perder no anonimato ou quem sabe se tornarem agentes secretos de seus lideres.O Brasil já foi o Brasil dos diferentes grupos convivendo pacificamente. ( pelo menos no imaginário coletivo descrito por Darcy Ribeiro).

Será que conseguiremos nos olhar de novo uns para os outros com olhar comunitário? Será que conseguiremos não enxergar um ao outro como inimigos , mas antes como companheiros ( sem o peso do jargão politico por favor) participantes de uma mesma jornada e que se a nave espacial terra cair todos irão juntos?

Onde estão os meus amigos? Será que todos se tornaram apenas políticos?

storyboard_180325_161125“Não existem passageiros na espaçonave Terra. Somos todos tripulação.“ — Marshall McLuhan 2.

 

2-0 Referência: https://citacoes.in/autores/marshall-mcluhan/