“A história não é mais do que a narração dos esforços empregados pelo homem para edificar um ideal e destrui-lo em seguida, quando, tendo-o atingido, descobre a sua fragilidade.” Gustave Le Bon
“Nós e eles”,
O que aconteceria , por exemplo , se os assim denominados fanáticos cristãos do retrocesso , planejassem criar uma “pacífica” ocupação das escolas em torno de uma agenda denominada de conservadora , tipo assim , pró família, pró-vida? Contra a idelogia de gênero por exemplo? Teriam a mesma leniência das autoridades e dos conselhos tutelares? E se os considerados “profanos pais” desejassem invadir o reduto de uma suposto juventude cristã? Seriam impedidos de entrar e visitar os cristianizados juvenis ? Eu trabalhei por muitos anos com adolescentes e as barreiras encontradas nos projetos das igrejas são inúmeros face a resistência oferecida por algumas autoridades constituídas que insistem em acabar com os referenciais tradicionais de família. Os discursos valeriam para eles?
Eu fui criado debaixo dos desafios levantados pela teologia da libertação no metodismo principalmente na década de 80. Fui um dos líderes da primeira greve da minha universidade em 1987 do alto dos meus 22 anos de idade. Em torno de nosso movimento circularam lideres como Jandira Feghali ,Arouca dentre outros. Na época não tinha câmera fotográfica e não faziamos selfies para postar no instagram. As fotos foram feitas pelos jornalistas do Globo, jornal dos esportes e jornal do Brasil.
Ajudamos a salvar o hospital. Alguns colegas dos movimentos politicos entretanto se tornariam parte da nova emergente elite politica que ajudaria a “mudar o Brasil”. Alguns colegas médicos ligados aos movimentos sociais da época (principalmente sindicato) assumiram os debates sobre a chamada reforma sanitária , apregoavam a necessidade de uma mudança do projeto de saúde do país e defendiam a criação do que foi chamado de SUS. Um sistema universal de saúde. Assim todos e todas teriam direito ao acesso à saúde. Por essa bandeira lutei.
Anos depois de formado a partir de 1995, tive o privilégio de visitar países como Índia, Cuba,Rússia e Coréia do Sul. Conversar com as pessoas no seu local de vida tocar as pessoas no seu habitat e não apenas ver na TV uma propaganda construída pela mídia local da indústria cultural socialista, nas olimpíadas, aquela mesma que apregova uma revolução pelas armas ou por uma pseudo-revolução cultural da intelligentsia seja pela terceira via, eurocomunismo, socialismo do fórum de São Paulo latino americano ou um embate ideológico de desconstrução da sociedade pôs moderna com a “luta nas urnas” ou luta pelas representações sociais no espaço cibernético.
Conheci médicos cubanos na Índia, onde conhecemos juntos em 1995 descobri que o projeto de empoderamento (empowerment) proposta pela educação de Paulo Freire ajudava vilarejos a criar empresas ao invés de torná-las socialistas, onde o conceito mais próximo do que eles pregavam do empowerment era uma partilha cristã, e não o marxismo.
Socialismo traz Liberdade? Mudança? Os médicos cubanos metodistas não sabiam nem o que significava a palavra orçamento. (Embora muitos brasileiros também não saibam). Liberdade? Escolhas? Democracia?Um pastor Russo que conheci no interior de Voronezh que pertenceu à KGB na Rússia me disse que sua função principal era praticar sistematicamente lavagem cerebral nas crianças nas escolas pra não acreditarem na “mentira ilusória” sobre Deus. Ou quem sabe dos cristãos Coreanos impedidos de ajudar/visitar seus empobrecidos parentes que vivem na Coreia do Norte. Um cientista professor de química Estoniano agora cristão, tambem ex-agente da KGB, tinha como objetivo principal “científico” liderar pesquisar de ferramentas de controle da mente , curiosa atitude para grupos que acusavam a igreja de “ópio do povo”.
No Brasil em 2005 eu presenciei a esquerda chegava a presidência da republica. Uma coalizão de forças conseguiram pela via democrática levar os ideais pelos quais muitos anônimos lutaram. Parecia finalmente que os sonhos poderiam se tornar realidade. Eu que já tinha na época em torno de 20 anos de formado. Diferentemente do pensado a tão reforma sanitária não aconteceu o que presenciei foi a maior terceirização da história da saúde pública no Brasil.
Na verdade apesar de todas as chamadas ferramentas de diálogo com as comunidades e os conselhos de saúde com representação da sociedade civil e políticos nada realmente aconteceu. Não foram formados novos quadros de profissionais e nem houve criação de significativas mudanças no plano de cargos e salários dignos que atraissem os médicos para o serviço de saúde pública. Porque em dois mandatos a frente do governo e mais um mandato e meio de sua sucessora não foram criadas novas escolas de medicina para suprir as necessidades do povo e construidos equipamentos medicos e suprimentos dentro desta visão do SUS com médicos pagos pelo governo do povo?
Voltando -me outra vez para a questão dos meus nobres amigos que se tornaram influentes políticos da esquerda brasileira. Percebo que muitos hoje moram em lugares privilegiados , viajam de primeira classe, usam bolsas louis Vitton mas mantêm o discurso do fantástico democrático modo de vida socialista, com a almejada sei lá qual utópica liberdade. Mais uma vez eles alardeiam o famoso bordão “e a luta ainda continua”; e ,recrutando uma nova geração de inocentes “menores de idade” para “ocuparem” escolas , a “pregarem”um discurso que nem ainda conseguiram memorizar, a lutar contra PECS cujo conteúdo desconhecem, e para manter os “incríveis avanços” que anteriormente foram denominados por Lula de coronelismo eleitoral para compra de votos (as famosas bolsas). Somente após manifestaçoes nas ruas o governo respondeu com um programa absurdo dos mais médicos que era mera imitação do chavismo na Venezuela.
E o mais fantástico disso tudo? A conta precisa ser paga tirando ou melhor “redistribuindo” os recursos levantados de “opressores” como eu. Um médico “coxinha” classe média que foi formado por uma pai e mãe originários de famílias humildes, daquelas formadas por migrantes do nordeste e também imigrantes da Europa em guerra que nunca teria a chance de mobilidade social em um país comunista e que lutou pra chegar ao final do curso.
Resta a pergunta , medico-sociologistico-linguistico-filosofico-antropologico-psicologico-sociologico-teologico a ser realizada:
Quem é mais manipulado ( Massa de manobra)? Os trabalhadores Chineses do comunismo , os admiráveis cubanos , os Coreanos do norte , os empregados das multinacionais , os agricultores do interior do nordeste as mais diversas minorias mundiais, ou os “brancos estúpidos de Michael Moore” ?
Os resultados das últimas eleições no Brasil me fizeram refletir de forma muito sistemática;
1) que o resultado da esquerda Petista no poder do Brasil através da tentativa de derrubada de uma elite, para criar outra, (processo que tem sido sendo centenariamente descrita como uma solução para as mazelas do mundo pela atual ala da ¨”desconstrução da sociedade”) não funcionou aqui no Brasil nem na Venezuela. As releituras propostas, muitas vezes fomentaram mais a criação de uma rivalidade bipolar entre os “eles” e os “nós” através de uma suposta “descoberta” das classes sociais acirrando/criando conflitos.
2) No entanto a despeito do que se intencionava pelo discurso “dialético” isso se mostrou ineficaz devido ao pragmatismo da realidade social ocidental latino americana . Fica difícil de saber neste processo quem liderava “eles” e muito menos a “nós” e no melhor estilo de livros ficcionais de conspirações, dentro deste “admirável mundo” pós internet a intelligentsia de esquerda “mortadela” possui as mesmas benesses dos Iphones , Ipods e Windows capitalistas , que os coxinhas neste que é o “espaço público contemporâneo masterchéfico” predileto da juventude que saindo das ruas e prefere o menos perigoso “ambiente virtual”;
Provou-se também que quem ocupar os espaços virtuais poderá “construir” algumas verdades mais “justificadas” (filosofia da ciência) com possibilidades de ,após isso, ocupar os “espaços públicos reais” na construção das representações sociais. A despeito das dificuldades da famosa rivalidade entre as gerações , que vem sido descrito desde os gregos, esta presente geração possui , além dos referenciais diferentes que sempre ocorreram no gap cultural , um “sistema operacional” mental diferente devido à internet “googleniana” que faz parte do inconsciente coletivo deles.
Parece que o famoso espírito democrata que foi resultado do cruzamento entre o espírito Greco-Romano e o mundo judaico-cristão está em julgamento e em provação no “mundo globalizado” e em especial na América Latina. A liberdade de expressão e a liberdade que foram obtidas inicialmente com o apoio dos protestantes no período da reforma e dos burgueses na criação do estado laico na França hoje estão em cheque. Hoje ao reafirmarem as teses dos direitos humanos muitas pessoas parecem imersas no sono do Morfeu tecnológico, atraídos que foram pelo Hipnos da Nix cultural, tendo um esquecimento da fonte destes direitos; o cristianismo como nos foi muito bem lembrado pelo ministro do supremo como originárias no cristianismo (1),
Eu gostaria de continuar a ter os direitos humanos que não venham através da violência e que não discrimine retroativamente as pessoas. Não deveria ser rotulado do que eu não sou; ignorante, violento, fanático , homofóbico, racista e sem cultura. Não quero me desviar “nem pra direita nem pra esquerda”. Isso poderia servir pra “nós” e pra “eles”.